Esse corpo não me pertence, Esse corpo não me pertence, Esse corpo não me pertence. (Des) corporamento de individuo. Ato autoritário para me ausentar da carne livre. Massificação e venda de meus órgãos. Desapropriação do meu corpo. recebi ontem: uma intimação, expedido pela Polícia federal, para eu me retirar de mim mesmo em até 24 hora. – sair sem bagagem, sair de fininho. Esvaziar de mim. É inerente o fato; os cana tão lá fora. Só posso sentar, tomar uma xicara de café aproveitando a salivação do ultimo liquido sagrado que minhas papilas gustativas poderão sentir. Amanhã não mais pertencerei a elas. Minha carne será enlatada, para cozinhar aos filhos. Os olhos serão chipados pra vigiara a praia de Copacabana. Meus Cabelos para fazer milhares de escovas de dente. Urina, para matar os vermes da plantação de soja que será vendida na feira. O pensamento será editado para vender ao tele-curso...
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Mostrando postagens de agosto, 2017
Deriva da praia
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Tem muita gente. Gente, gente, gente. Gente em monte. Gente até demais! É plural. É gentes. G-E-N-T-E-S-S-S-S-S. De todos os tipos, de todas as cores, de todos os lugares. A gente da terra porde ser SE QUISER e QUANDO QUISER. E eles deixam rastros. Marcas. Seus passos cravam territórios por onde pisam. O homem do mar não tem escolha, ele é. Ou então deixa de ser. Mas ninguém o sabe, porque o mar é gatilho contra o ego. O mar mata o homem orgulhoso e ninguém nunca vai saber. Porque ele lava as mãos de sangue. A água é limpa de pecados e pegadas. O mar é fronteira movediça contra a ganância. Não é de ninguém nem nunca será. E invade a terra. E destrói suas falsas conquistas. Suas falsas fronteiras. Falsas. Falsas. Falsas. Valsas... o mar é valsa que dança a justiça própria. - Eu piso na pegada de alguém e assim ninguém sabe que eu passei por aqui. Me camuflo, me visto de ser passarinho e brinco de voar sobre a terra. Não sou. Não tenho o que cravar na história. Minha existência não...
Constelação de inquietude
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Eu queria saber quem é que governa o meu corpo. Quais são as regras que ditam os traçados dos meus pés? Quais direitos tenho sobre os meus territórios? A vida é ida sem volta por cima do muro entre o abismo e o que não faz sentido. E está escuro. E eu estou sozinha. E eu tenho medo... As armas da fronteira estão todas apontadas contra mim. A paz é utopia, a vida é privilégio. Paro, observo e deixo o ar entrar de forma tão sutil que até Deus quase duvida da minha existência nesse momento. Estou desmoronando, mas aqui a gente aprende a não ser, sendo. Em território de fogo cruzado, pulo corda contra a ventania, e me escondo atrás das estrelas. Quem sabe seu brilho um dia me salva...
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Fronteira O ônibus reduz a velocidade e até parar, volta a andar devagar e para outra vez, isso se repete muitas vezes. A luz e o ruído que vêm de fora me recepcionam. Estou no meio do trânsito. Após correr sete horas sem interrupções, por pouco conseguimos escapar da hora do rush. Engarrafados dentro dessa garrafa, o vidro da garrafa são os outros carros, nós somos o conteúdo, os outros carros também são o conteúdo e todo o engarrafamento é o conteúdo da cidade que faz a gente parar no meio da correria. Quando temos sorte, acordo já dentro da rodoviária, meu corpo ocupa um lugar mineiro: a poltrona 29. Mas meus olhos vêem a paisagem carioca e avisam meu corpo ainda em Minas que algo está errado. As rodoviárias são portais, flutuo numa velocidade maior que meu corpo e chego em outro estado. Dessa vez não deu, o ônibus atrasou em algum momento do caminho ou nele todo. Sou recebida por uma cidade que calhou de eu nunca chegar perto de habitar. 7h da manhã, trânsito en...
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Deriva 3 as luzes vigiam o escuro um gambá fêmea ou gamboa (não sei se existe gamboa, mas isso me faz repensar o nome do bairro) carrega seus dois filhotes nas costas eu carrego meu seio esquerdo para que não caia do corpo carrego também meu joelho para que não caia e minhas bochechas meus dedos das mãos carrego meu umbigo e minha mandíbula para que se nada se perca pelo caminho estou sendo perseguida pelas pessoas que estão na minha frente e também pelos que cruzam comigo mas principalmente pela moça rosa corro porque é um meio bem seguro de não me atacarem, pois terão que correr também e está comprovado que o sedentarismo é um dos maiores problemas na juventude corro em cima da ponte para diminuir as chances de que ela caia enquanto eu atravesso o homem olhava para dentro da água, acho que havia barcos navegando dentro da água nós cavalgamos no meio dos peixes que nadavam calmamente ele gritou e eu não sabia o que era, mas corri porque...
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700, 699, 698, 697, 696, 695, 694, 693, 692, 691, 690, 689, 688, 687, 686, 685, 684, 683, 682, 681, 680, 679, 678, 677, 676, 675, 674, 673, 672, 671, 670, 669, 668, 667, 666, 665, 664, 663, 662, 661, 660, 659, 658, 657, 656, 655, 654, 653, 652, 651, 650, 649, 648, 647, 646, 645, 644, 643, 642, 641, 640, 639, 638, 637, 636, 635, 634, 633, 632, 631, 630, 629, 628, 627, 626, 625, 624, 623, 622, 621, 620, 619, 618, 617, 616, 615, 614, 613, 612, 611, 610, 609, 608, 607, 606, 605, 604, 603, 602, 601, 600...
CIRCO DO CICLO
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Ei, deixa eu fazer uma regra? Meu sonho é fazer uma regra. Por favor, só uminha e acabou. Deixa vai, é só uma regra o que é que tem? Bem...a minha regra é....que....eu seja o dono da regra! Regra é tipo uma régua bem grande que mede tudo o que tem que ser feito e corta a terra. A regra é quem manda. Quem nasceu primeiro, o homem ou a regra? A minha regra agora é que eu sou o arquiteto! Ah, deixa eu construir um prédio vai. Meu sonho é construir um prédio, passar a serra, sentir o cheiro do sangue da terra. Eu quero subir aos céus e rasgar as nuvens com meus concretos. Deixa eu vender o concreto vai! Eu é que fiz todos eles. É assim: começa um concretinho de nada e de repente temos um império. Deixa eu ser o imperador...quer dizer: Agora eu sou o imperador, porque líder que é lider não pede pra entrar já nasceu dentro, igual ao bichinho da goiaba. Se vocês se comportarem eu dou o direito de serem livres segundo as minhas réguas.
verborragia do melhor ensaio do mundo
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Aqui tudo cai e fica pra sempre. Minha alma não recicla ela fica como o lixo, a embalagem do necau, do hipoglos, do creme dental...Ando em curvas na tentativa de mudar a estrutura do rumo. Quem é que faz o destino parecer comigo? Não quero que Deus seja minha imagem semelhança. Tenho medo dele se parecer comigo. Já esqueci o que é que meu corpo queria me contar, guardei no umbigo. Eu sinto um amor enorme por meus amigos. Vontade de dominar, cuspir na porra toda, reinventar a regra a partir do meu nariz. Nasceram mais umas 5.865 crianças enquanto eu pensava aqui. Imaginem todas elas chorando ao mesmo tempo. Eu nunca chorei porque o mar nos olhos é muito normal por aqui. Aqui. Curto e seco aqui. Lembra-me cair. Aqui e cair são primos. O tanto que você me trouxe de novos sentidos pro verbo sair pelo ouvido até que os ombros aquietem a virilha que fofoca aos cotovelos que está na hora de ir embora.
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Fui passear com o meu galho de estimação O Rio Sul parece um navio cheio de luzes e cães. Visto daqui, parece a Europa – Imponente- e eu - impotente - com o meu belo galho de estimação: verde comprido e que se arrasta pelo chão com os seus variados galinhos. Converso com um vendedor de balas, jovem negro de sandálias velhas – as luzes do shopping refletia sobre a sua pele negra e o seu sorriso branco. Comprei jujubas coloridas por 1 real, ofereci uma para o menino, ele não quis. O jovem tem 5 irmãos e uma mãe velha que não pode mais trabalhar; ele mora no Estácio. O menino parecia espantado com a minha simpatia, eu também estava espantado com a simpatia dele. Durante 10 minutos, ninguém comprou as suas balas. O shopping parecia um navio cheio de luzes e cães. Milhares de Guardas, de olhos atentos e sem sorriso. Fiquei com medo, pois ninguém foi com a cara do meu pobre galho de estimação. Uma guarda veio até mim, ...
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SÃO PAULO (devaneios verborrágicos de uma mente em apuros) DIA 1 - São Paulo faz olhar pra cima. Será que é por isso que tem nome de santo? Alguém: ME ACUDEEEE! PELAMOR DE DEUSSSS!! (Silêncio) E como não há respostas... Alguém: ÔOO SEU SUMPAULU! ME AJUDA!?! (E é santo de quê mesmo, hein?) - Willian não é daqui... E nem devem ser Maria, Ana, Fábio, José, Flávio, Rafael, Isabel e tantos outros... Aqui enriquece com quem não é daqui. É injusto um lugar que precise de outros para ~só ele~ ser rico. Exploração e enganação! - Avenidas largas que circulam o ar. Toda esquina é...
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Peço licença para não pertencer. E ainda assim falar. Falo porque sinto. Sinto porque testemunho. Testemunho porque vivo. Vivo porque - isso eu ainda não sei... Sou fruto azedo de uma primavera errante. E ela corta. E ela rasga. E ela jorra. O sangue é verborrágico. Não cessa até que se calem as feridas. Esguicha até o último ponto. Parágrafo
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Apocalipse No dia em que a favela subir aos céus e de lá assistir à sujeira dos bairros nobres e o caos do trânsito como um dia assistiram à novela das nove, haverá chuva limpa todo dia às três da tarde pra encher as caixas de água Estando a favela acima da cidade, a chuva não chegará lá embaixo os nobres mortos de sede suplicarão por um copo de água e água que cairá das bordas da favela só atingirá os bairros médios, a fronteira da periferia com o centro E os emergentes com baldes nas mãos lembrarão o dia em que estiveram mais perto de subir na vida do que jamais imaginaram Nunca mais haverá sol pois a favela vai tapar a visão e assim os nobres viverão à sombra da favela procurando desesperados onde gastar seu dinheiro
Um diálogo que poderia ter sido.
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Atriz- Oi...com licença. O velho que não é meu avô- Com quem deseja? Atriz- Qual é o seu nome? O velho- Ele não está. Atriz- Quem? O velho- Também não está. Por favor, tire os pés da minha porta. Atriz- Hein? O velho- E onde já se viu entrar numa casa sem bater. Atriz- ( sem graça, olha em torno não vê nada) Desculpe! Ér... onde fica a campainha? O velho- Tá com defeito. O jeito é me chamar pela janela como nos tempos antigos. Atriz- E onde é que fica? O velho- Está cega? Atriz- ( sem graça, dá uma volta no velho e finge encontrar uma janela. Finge mal) Ei, psiu, ôô de caasa. O velho- Minha filha, essa não é a janela. Atriz- (dá um passo pra esquerda) O velho - Tá frio. Atriz- (outro passo) O velho- Antártica! Atriz- (corre em volta do velho, finge subir uma escada , pegar um elevador e bate na suposta porta)- Ei de casaaa!!! O velho ( satisfeito)- Quem é? Que gritaria é essa na minha porta!? Já passam ...