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Esse corpo não me pertence, Esse corpo não me pertence, Esse corpo não me  pertence. (Des) corporamento de individuo.  Ato autoritário para  me  ausentar  da carne livre. Massificação e venda de meus órgãos. Desapropriação do meu corpo. recebi ontem: uma intimação, expedido pela Polícia federal, para eu me retirar de mim mesmo em até 24 hora. – sair sem bagagem, sair de fininho. Esvaziar de mim. É inerente o fato; os cana tão lá fora. Só posso sentar, tomar uma xicara de café aproveitando a salivação do ultimo liquido sagrado que minhas papilas gustativas poderão sentir. Amanhã não mais pertencerei a elas. Minha carne será enlatada, para  cozinhar aos filhos. Os olhos serão chipados  pra vigiara a praia de Copacabana. Meus Cabelos para  fazer milhares de escovas de dente.   Urina, para matar os vermes da plantação de soja que será vendida  na feira.  O pensamento será  editado para vender ao tele-curso...

Deriva da praia

Tem muita gente. Gente, gente, gente. Gente em monte. Gente até demais! É plural. É gentes. G-E-N-T-E-S-S-S-S-S. De todos os tipos, de todas as cores, de todos os lugares. A gente da terra porde ser SE QUISER e QUANDO QUISER. E eles deixam rastros. Marcas. Seus passos cravam territórios por onde pisam. O homem do mar não tem escolha, ele é. Ou então deixa de ser. Mas ninguém o sabe, porque o mar é gatilho contra o ego. O mar mata o homem orgulhoso e ninguém nunca vai saber. Porque ele lava as mãos de sangue. A água é limpa de pecados e pegadas. O mar é fronteira movediça contra a ganância. Não é de ninguém nem nunca será. E invade a terra. E destrói suas falsas conquistas. Suas falsas fronteiras. Falsas. Falsas. Falsas. Valsas... o mar é valsa que dança a justiça própria. - Eu piso na pegada de alguém e assim ninguém sabe que eu passei por aqui. Me camuflo, me visto de ser passarinho e brinco de voar sobre a terra. Não sou. Não tenho o que cravar na história. Minha existência não...

Deriva-mar

Meu corpo finalmente tocou a terra.  Solo firme. Pegada marcada. Pela primeira vez fora do mar, chego na terra, mas a água ainda lambe os meus dedos. Minha alma é toda água salgada, minha boca continua sede. Lábios roxos de frio. Lábios roxos de fome. Lábios roxos de seca em plena imensidão azul.

Constelação de inquietude

Eu queria saber quem é que governa o meu corpo. Quais são as regras que ditam os traçados dos meus pés? Quais direitos tenho sobre os meus territórios? A vida é ida sem volta por cima do muro entre o abismo e o que não faz sentido. E está escuro. E eu estou sozinha. E eu tenho medo...  As armas da fronteira estão todas apontadas contra mim. A paz é utopia, a vida é privilégio. Paro, observo e deixo o ar entrar de forma tão sutil que até Deus quase duvida da minha existência nesse momento. Estou desmoronando, mas aqui a gente aprende a não ser, sendo. Em território de fogo cruzado, pulo corda contra a ventania, e me escondo atrás das estrelas. Quem sabe seu brilho um dia me salva...
Fronteira O ônibus reduz a velocidade e até parar, volta a andar devagar e para outra vez, isso se repete muitas vezes. A luz e o ruído que vêm de fora me recepcionam. Estou no meio do trânsito. Após correr sete horas sem interrupções, por pouco conseguimos escapar da hora do rush. Engarrafados dentro dessa garrafa, o vidro da garrafa são os outros carros, nós somos o conteúdo, os outros carros também são o conteúdo e todo o engarrafamento é o conteúdo da cidade que faz a gente parar no meio da correria. Quando temos sorte, acordo já dentro da rodoviária, meu corpo ocupa um lugar mineiro: a poltrona 29. Mas meus olhos vêem a paisagem carioca e avisam meu corpo ainda em Minas que algo está errado. As rodoviárias são portais, flutuo numa velocidade maior que meu corpo e chego em outro estado. Dessa vez não deu, o ônibus atrasou em algum momento do caminho ou nele todo. Sou recebida por uma cidade que calhou de eu nunca chegar perto de habitar. 7h da manhã, trânsito en...
Deriva 3 as luzes vigiam o escuro um gambá fêmea ou gamboa (não sei se existe gamboa, mas isso me faz repensar o nome do bairro) carrega seus dois filhotes nas costas   eu carrego meu seio esquerdo para que não caia do corpo carrego também meu joelho para que não caia e minhas bochechas meus dedos das mãos carrego meu umbigo e minha mandíbula para que se nada se perca pelo caminho estou sendo perseguida pelas pessoas que estão na minha frente e também pelos que cruzam comigo mas principalmente pela moça rosa corro porque é um meio bem seguro de não me atacarem, pois terão que correr também e está comprovado que o sedentarismo é um dos maiores problemas na juventude corro em cima da ponte para diminuir as chances de que ela caia enquanto eu atravesso o homem olhava para dentro da água, acho que havia barcos navegando dentro da água nós cavalgamos no meio dos peixes que nadavam calmamente ele gritou e eu não sabia o que era, mas corri porque...
700, 699, 698, 697, 696, 695, 694, 693, 692, 691, 690, 689, 688, 687, 686, 685, 684, 683, 682, 681, 680, 679, 678, 677, 676, 675, 674, 673, 672, 671, 670, 669, 668, 667, 666, 665, 664, 663, 662, 661, 660, 659, 658, 657, 656, 655, 654, 653, 652, 651, 650,  649, 648, 647, 646, 645, 644, 643, 642, 641, 640, 639, 638, 637, 636, 635, 634, 633, 632, 631, 630, 629, 628, 627, 626, 625, 624, 623, 622, 621, 620, 619, 618, 617, 616, 615, 614, 613, 612, 611, 610,  609, 608, 607, 606, 605, 604, 603, 602, 601, 600...