Eu me vi nua nos olhos dela e me assustei
Ei, moça! Cê tá me vendo? Moço, você me viu por aí? É que eu ando meio perdida. Eu tava dentro dos olhos daquela menina. Eu encontrei com ela outro dia, mas depois ela foi embora e me levou junto com ela. E agora eu não consigo mais me encontrar! Eu ando na rua me procurando dentro dos olhos das pessoas, mas eu fiquei presa bem dentro daquela menina. Eu me vi refletida no preto do castanho dos olhos dela. E se eu não encontrar ela por aí, vai ficar metade de mim nela. Você tem certeza que não me viu dentro dos olhos de nenhuma menina? Sem ela, eu já não sei quem sou. Sem ela, já sou metade de mim. E se eu nunca mais puder ser quem eu sou porque é ela é quem me é agora?
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Eu abri a minha janela
pra brincar no seu quintal
Quando vi, era espelho
Me olhei de forma tal
Desnuda, em carne viva
E escondida em carnaval
Era você, era eu, nem sei
De tanto que fronteira, já desaguei
Sua brasa era meu peito,
meu olhar era seu leito
Acho até que me afoguei.
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Eu carrego o peso do mundo nas costas.
Meu passo não é raso, meu pranto é profundo.
Não faço parte do tempo em que gira esse mundo.
Fui engolida pelo céu, fui cuspida sem perdão
Fujo do mar como quem corre de um estupro.
Sou a terra invadida, a criança que a vida não estendeu a mão.
Sou cabo de guerra de mim mesma com o meu destino.
E estou sempre em desvantagem...
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Eu não quero ser consciente, por favor! É só o que peço! POR FAVOR! Me deixa ser ignorante? Deixa? A superfície é calma, eu não quero ser dragada pro fundo! Lá existe um sumidouro, ele puxa meu pé e depois... não sobra história pra contar! Quando eu vejo, já estou dentro de mim!
A dor é um caminho sem volta. Aliás, a dor e a consciência são dois caminhos sem volta: quando eles te chamam, não dá pra ignorar! Ficam ali, pulsando. Te lembrando o tempo todo que vive em você mesma uma parte que nem você tem controle absoluto. É rebeldia. E eu não quero ser rebelde! Eu não tenho estrutura pra ser rebelde!
Eu só quero ser submissa. Só quero acatar ordens, seguir ordens, repetir ordens, nunca, jamais, questionar ordens! Me deixa ser submissa? Por favor, me deixa ser sua escrava? Me deixa, sei lá, ocupada com alguma coisa que me exaura o corpo e não me dê tempo nenhum pra pensar. Não posso pensar, não posso pensar, não posso pensar. Não tenho condições de pensar.
Me bate? Me faz sentir na carne? Me faz esquecer que eu tenho mente? A mente causa sofrimento, eu não aguento mais sofrer! NÃO AGUENTO MAIS SOFRER!
ME ESPANCA? POR FAVOR, ME ESPANCA? BATE! EU TÔ TE PEDINDO, ME BATE? MAIS FORTE!!!! ME ENFORCA! EU NÃO TÔ SENTINDO NADA!! TÁ COM MEDO? ENTÃO DEIXA QUE EU MESMA FAÇO... (se bate) BATE MAIS! AHHHHHHHHHHHH!!! MAIS! MAIS! MAISSSS!!! MAAAAAAIIIIIIISSSSSSSS!!!!!!!!! AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (morre)
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Eu abri a minha janela
pra brincar no seu quintal
Quando vi, era espelho
Me olhei de forma tal
Desnuda, em carne viva
E escondida em carnaval
Era você, era eu, nem sei
De tanto que fronteira, já desaguei
Sua brasa era meu peito,
meu olhar era seu leito
Acho até que me afoguei.
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Eu carrego o peso do mundo nas costas.
Meu passo não é raso, meu pranto é profundo.
Não faço parte do tempo em que gira esse mundo.
Fui engolida pelo céu, fui cuspida sem perdão
Fujo do mar como quem corre de um estupro.
Sou a terra invadida, a criança que a vida não estendeu a mão.
Sou cabo de guerra de mim mesma com o meu destino.
E estou sempre em desvantagem...
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Eu não quero ser consciente, por favor! É só o que peço! POR FAVOR! Me deixa ser ignorante? Deixa? A superfície é calma, eu não quero ser dragada pro fundo! Lá existe um sumidouro, ele puxa meu pé e depois... não sobra história pra contar! Quando eu vejo, já estou dentro de mim!
A dor é um caminho sem volta. Aliás, a dor e a consciência são dois caminhos sem volta: quando eles te chamam, não dá pra ignorar! Ficam ali, pulsando. Te lembrando o tempo todo que vive em você mesma uma parte que nem você tem controle absoluto. É rebeldia. E eu não quero ser rebelde! Eu não tenho estrutura pra ser rebelde!
Eu só quero ser submissa. Só quero acatar ordens, seguir ordens, repetir ordens, nunca, jamais, questionar ordens! Me deixa ser submissa? Por favor, me deixa ser sua escrava? Me deixa, sei lá, ocupada com alguma coisa que me exaura o corpo e não me dê tempo nenhum pra pensar. Não posso pensar, não posso pensar, não posso pensar. Não tenho condições de pensar.
Me bate? Me faz sentir na carne? Me faz esquecer que eu tenho mente? A mente causa sofrimento, eu não aguento mais sofrer! NÃO AGUENTO MAIS SOFRER!
ME ESPANCA? POR FAVOR, ME ESPANCA? BATE! EU TÔ TE PEDINDO, ME BATE? MAIS FORTE!!!! ME ENFORCA! EU NÃO TÔ SENTINDO NADA!! TÁ COM MEDO? ENTÃO DEIXA QUE EU MESMA FAÇO... (se bate) BATE MAIS! AHHHHHHHHHHHH!!! MAIS! MAIS! MAISSSS!!! MAAAAAAIIIIIIISSSSSSSS!!!!!!!!! AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (morre)
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